22.11.08

Joana


A Joana fez anos ontem. A Joana vive todo o ano um bocado fora de mão demais para um café, mas merece (mesmo) que eu aguente umas horas de comboio, o que aliás, já tinha ficado prometido.
Sempre que me lembro da Joana, lembro-me de sorrisos marotos e do sotaque de Viseu, que eu queria que ela tivesse, só pra poder gozar com ela. A Joana escreveu-me nos meus anos e eu tive de esperar 6 meses e 22 dias para poder dizer, num textinho parecido ao dela, que nesse dia fiquei mesmo feliz. A Joana é tão bonita que o sol vai nascer primeiro ao Porto, só para a ver pela manhã (eu sei que é verdade porque vejo sempre no helicopetero do trânsito do programa da manhã). A Joana é daquelas pessoas que têm uma divisão inteirinha só pra ela na casa da saudade.

Qualquer dia vamos viver prá mesma aldeia e vamos ser compadres.

15.11.08

Crónica curta sobre coisas compridas (e que se enrolam).

Espero por ti no intervalo de uma das tardes compridas na biblioteca de física. Sempre que me sento no degrau de lata verde-garrafa, reparo na minha sombra, a enrolar-se na da árvore velha, que deve ser respeitosamente comprida a caminho das nuvens, nunca olhei para cima, tantas vezes aqui me sentei, e que num novelo escuro desce as escadas até ao alcatrão daquela curva que nenhum carro consegue fazer à primeira.
A calma com que enrolo uma noz do tabaco comprado a meias na papelaria do Lumiar, logo a seguir à esquina do cabeleireiro do maricas brasileiro e das três quarentonas louras, que começam a falar sobre lagostins grandes e vermelhos sempre que eu passo, onde toda a gente faz o euromilhões e ninguém ganha nada, assusta-me. Os meus dedos são indiferentes ao frio que vem com o vento enrolado da esquina e à personalidade viva do meu pessimismo, que é como uma máquina de pipocas a estalar bocadinhos de nervoso miudinho, descontrolada. Fiz uma barriga ao cigarro por estar a olhar para a sombra, decido que não faz mal, talvez demores uns minutos, vai dar jeito um cigarro comprido.

Sei sempre quando levantar a cabeça, sorrio com a certeza que, lá de cima, com o teu cabelo de sombra que enrola com o vento da esquina, vem um novo alento, num passo desajeitado de pernas compridas de fazer inveja. Sorris de volta.

Aqueces-me com um beijo, enrolas-te em mim para afastar o frio e eu sinto o cigarro tremer na ponta dos dedos. Assustas a minha indiferença.

8.11.08

Outono iii)

Sextas-feiras de Outono rimam com candeeiros doentes e mantas aos quadrados.

3.11.08

Parapeito muito estreito i)

Quando se tem uma janela voltada para sitio nenhum, tem-se um tesouro de pormenores.

31.10.08

Outono ii)

O melhor do frio que vem com os últimos meses do ano é a forma como nos lembra a importância de um par de pés extra ao fundo dos lençóis.

29.10.08

Outono i)

Se é dos dias que bebem o sol devagar, do vento que nos empurra a vontade, ou das folhas que vão desistindo, uma por uma, não me perguntem. Vale-me ter entre as mãos uma caneca de bebida quente, uma fonte de calor que dissolve o Outono das coisas, que ajuda a ignorar a persistência das folhas que sucumbem ao vento, uma por uma, vale-me ter entre as mãos o bem mais precioso.

19.7.08

Estar longe i) é como estar doente, mas pior.

22.3.08

Angústia (num messenger qualquer)


Estou tonto, doem-me os olhos e os meus dedos parecem perdidos numa dança rídicula sobre o teclado gasto, provavelmente de todas as "conversas", sem tino e sem fim, que tivemos aqui. Tentar explicar como todos os sons, todas as texturas, todas as cores, todos os cheiros e todos os sabores são meio a menos quando tu não estás por perto, quando não estamos os dois, é tarefa pra quem sabe mais letras que as do alfabeto.
Os minutos demoram o dobro, ou mais ainda, consigo vê-los a arrastar os pés. Só correm - voam! - quando estás comigo, parece que não gostam de nós. Não me importo nada, o tempo pode demorar o que quiser e fugir quando lhe apetecer, vai ter que nos aturar pra sempre.

6.2.08

Livro das Verdades I

Piada, piada, que não tem graça nenhuma, é a impassibilidade com que eu me levantava todos os dias, madrugadas atrasadas e monocromáticas, para ir onde me vendiam sempre do mesmo peixe, com um daqueles sorrisos "é tão fresco que ainda mexe", sem ter quem me dissesse ao ouvido que a ironia das coisas é um mal menor, quando temos o poder de fazer inveja aos deuses. Isto não é uma carta de amor.
Mas podia ser.

27.1.08

Noite a quatro pés.


A dança mais bela, num compasso só nosso.




4.1.08

Magia




Hoje fui ver o mar sem sair do caminho de todos os dias.


27.12.07

Segundo e meio

Só consigo voar durante um segundo e meio. Queria poder voar mais tempo.


O tempo nunca está certo, ou é pouco e não chega, ou é muito e não deixa chegar.


4.12.07




(é só desligar a música ali do lado e ouvir esta, maravilhosa)

2.12.07

Medo


O medo está em todo o lado.

Nas esquinas, nas portas e nas janelas, fechadas ou abertas, no fundo das vielas, escuras ou de um candeeiro só, nos olhares de quem conheces e dos outros que não sabes quem são, no fundo das escadas e no degrau a seguir ao teu, atrás do armário e debaixo da cama, dentro e fora dos carros, das casas, das ruas e das cidades, onde consegues ver tudo e onde não vez nada, onde está escuro e onde está luz demais, onde há silêncio e onde ele já não existe, no que se diz e no que fica por dizer, no que se sabe e no que não se sabe, no que se ama e no que não se pode amar.







Está em ti, é ele que te prende e que te empurra ao mesmo tempo.



1.12.07

Outro Lugar Estranho



Estás no mundo que te deram, pra escolheres o que escolheram e viveres o que viveram, Podres, num lugar estranho sem cor e sem tamanho, dançam todos num rebanho, Cegos, capazes de matar, incapazes de pensar, impossíveis de voar, tão gordos, de tudo o que comeram, sabem o que lhes disseram, o que lhes mostraram.

Eles vão-te agarrar, e puxar, puxar, puxar, uma, e outra, e outra vez. Tu podes saltar do carrossel, escolher o teu papel, podes pintar o que não vês.



(isto é uma letra)





19.11.07

Há medo de Rir



Não vás pelos caminho que os olhos dos outros apontam,
às vezes é preciso loucura,
só pra não enlouqueceres.

9.11.07

No Surprises





A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,

with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
Silent silent.

This is my final fit,
my final bellyache,

with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.

Such a pretty house
and such a pretty garden.

No alarms and no surprises (get me outta here),
no alarms and no surprises (get me outta here),
no alarms and no surprises, please.

17.10.07

Road Trippin


now let us drink the stars, it's time to steal away

22.9.07

It's a Gift


A pouco e pouco, vais aprendendo a beber cada gota de luz como se fosse a última, do último pôr-do-sol, do último dia de todos, a aspirar cada sopro de vida como se não houvesse mais nenhuma brisa, em lugar nenhum, em tempo nenhum e a sorrir a cada sorriso, como se fosse um tesouro, daqueles das estórias, que nunca ninguém viu, que nunca ninguém vai ver.
(obrigado Carolina, pela foto e pelo sorriso)

12.8.07

Nortes

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Blogumulus by Roy Tanck and Amanda Fazani

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